Três dias após o ocorrido, todos nós ainda estamos sob o impacto da tragédia ocorrida na madrugada de segunda-feira. Jogadores, jornalistas, comissão técnica, tripulantes, 71 vítimas desse desastre terrível! Em todos os lugares, manifestações de solidariedade demonstram a união que só a dor proporciona. E as iniciativas de torcidas, esportistas e dirigentes são a expressão mais clara da essência do significado do esporte: competição, congraçamento e respeito aos adversários.

 

Mas afinal, o que que essa tragédia tem a ver com Planejamento de Vida? Mesmo um momento tão triste tem que nos ensinar alguma coisa, precisamos aprender com a dor. Nossa missão, como planejadores de Vida é, através de um bom planejamento financeiro pessoal, ajudar as famílias brasileiras a obter mais qualidade em suas vidas, guiando nosso cliente na busca de sua melhor versão. E essa missão passa, muitas vezes, pela necessidade de enxugar o orçamento familiar. O que muitos chamam de economizar. Tenho sempre enfatizado que economizar significa parar de gastar com o que não faz falta, com o que não agrega qualidade à sua vida, para poder gastar com o que faz bem, e nos aproxima de nossa melhor versão. Em outras palavras: economizar é enxugar o orçamento do desperdício, preservando o que importa, o que faz falta.

 

E é aqui que esses dois assuntos se encontram. O voo que levaria a Chapecoense para a primeira partida da Final da Copa Sulamericana saiu de Santa Cruz de la Sierra com destino a Medelín, distante cerca de três mil quilômetros, em uma aeronave com autonomia de voo de … três mil quilômetros. As normas internacionais de segurança aérea recomendam que todo voo garanta combustível para, além do destino principal, permita chegar a um aeroporto alternativo, além de mais 30 minutos de sobrevoo em baixa altitude.  Nesse caso, seria indicada uma parada técnica em Bogotá, para reabastecimento. Mas um plano de voo que tomasse essas providências teria que aterrissar e decolar, procedimentos que encarecem o trajeto. Taxas de pouso e decolagem teriam que ser pagas ao aeroporto de Bogotá, o que encarecem o voo. E combustível de aviação teria que ser adquirido em Bogotá, a preços muito mais altos, o que encarece o voo. O piloto da aeronave, que também é coproprietário da companhia aérea, imbuído da intenção de “economizar”, optou pelo voo direto, abrindo mão de todos os procedimentos seguros, mas que “encareceriam o voo”. O trágico resultado, todos nós estamos chorando, e choraremos ainda por muito tempo.

 

Quantas vezes, com o intuito de economizar, vemos as pessoas cortando de seus orçamentos artigos necessários, enquanto coisas que nos afastam de nosso ideal de qualidade de vida permanecem sugando recursos valiosos. Na maioria das vezes, isso ocorre porque, para enxugar um orçamento, é preciso aprender a enxergar esse orçamento. É aí que vemos o quanto a falta de educação financeira prejudica uma família na obtenção de sua melhor versão. O resultado, se não é trágico como o desastre de Medelín, é devastador por atingir milhões de pessoas, todos os dias.

 

Não podemos mudar o que a imprudência dessas escolhas causou à 71 vítimas. Não podemos evitar a dor que as 71 famílias carregarão pela vida. Mas podemos aprender com essa dor. Podemos aprender a fazer melhores escolhas. Nossa missão é guiar o maior número de famílias no caminho da educação financeira. Nosso objetivo é ver nosso País em sua Melhor Versão!

 

E.T.: Antes de decidir pela publicação desse texto, busquei a opinião de algumas pessoas queridas. Em linhas gerais, o feedback que recebi foi: “Cuidado! Será que não dá a impressão de que você está tirando proveito do drama alheio? Não é melhor deixar a poeira baixar? Você não está se arriscando a ser criticado por isso?” Todos têm razão. Mas eu precisava canalizar a tristeza e a dor que estou sentindo, e tentar transformar um pouco dela em algo que possa ajudar. Se se eu conseguir isso, valeu correr esse risco. Às vezes, é através do incômodo e do desconforto que vem a transformação.