É cada vez maior o número de livros, artigos em jornais, matérias em revistas, blogs e opiniões dos especialistas em Finanças Pessoais / Planejamento Financeiro Pessoal. Estamos em Dezembro e especialmente nesta época do ano não param de pintar convites para diversas matérias. Naturalmente, as mais frequentes são para dicas sobre como organizar-se no novo ano para que este seja melhor do que o ano que se encerra.

Também são populares as pautas acerca do que fazer com o 13º, com as compras de final de ano, com o planejamento de férias e com os pagamentos de inicio de ano. É neste contexto típico e frequente deste final de ano que eu faço um desafio: encontre alguma coisa escrita que não seja, basicamente, mais do mesmo e o mesmo de sempre… Duvido que encontre… Eu mesmo contribui, apenas neste ano, para cerca de 5 pautas dentro deste contexto e adivinhem no que eu pude contribuir… apenas com o mais do mesmo e o mesmo de sempre…

Agora, há uma clara, simples e lógica explicação para isso. Esta explicação resume-se em apenas 1 frase: “Todo texto fora de contexto serve apenas para pretexto”.

Que tal deixarmos, sem delongas, toda está baboseira de lado e nos concentrarmos nas únicas 3 escolhas que temos que fazer para poder ter um relacionamento com nossa vida financeira. Estas 3 escolhas são as seguintes:

Escolha 1: Você pode viver com a lógica do “por que me preocupar com o futuro se eu nem sei se estarei vivo amanhã?!”. É uma boa pergunta agora, não basta apenas se fazer esta pergunta, tem que acreditar na sua resposta, ou então, se a fizer e realmente crer que há uma chance grande de estar morto amanhã ou então se acreditar que a maior probabilidade é de não estar vivo daqui a 30 anos, basta viver intensamente! Gaste mesmo! Não dê a mínima para estas teorias plastificadas de planejamento financeiro pessoal, curta ao máximo e busque otimizar o seu presente em toda plenitude. Busque ser o que você sempre sonhou ser, não meça consequências, compre a casa dos sonhos já e não deixe de mobiliar com bom gosto e bolso fundo pois já que se tem uma casa tem que se ter da melhor maneira possível, não é mesmo?! Depois de mobiliar, olhe para a sua garagem. Que carro você vê? Por que? Oras! Compre um carro melhor, maior, mais rápido ou pelo menos mais novo. Financie mesmo. Pense: por que não aproveitar o hoje se você realmente crê que não poderá estar aqui amanhã? Ao não acreditar no futuro você tem a licença para usar e sugar todo o presente. Comprou a casa e o carro dos sonhos? Joia! Que tal viajar? Existem boas dicas de viagens em bons blogs… Agora, por que ler tais dicas, não é mesmo? Viaje! E viaje com estilo. Pode até ser classe econômica mas quando viajar e se tiver um bebê na família não deixe de comprar o babador da Tommy para o seu filho afinal de contas, o babador da Tommy é um babador muito mais eficiente do que um babador… Qualquer… E olhe só, se você tem feito isso há cerca de 10 anos mas ainda confia em sua tese, não há com o que se preocupar, mesmo!. Viver os 10-15-20 últimos anos foi pura sorte, obra do acaso, mesmo, não é mesmo?!. Tudo pode acabar amanhã então não poupe um único segundo (e nem 1 único Real) no presente. Consuma e seja consumido pelo seu próprio consumo. Não há motivo para ter uma estratégia diferente… Por mais que as teorias tentem mostrar o contrário. Se você não acredita no futuro, não deixe de viver o presente totalmente intensamente, nunca! E tem mais! Você não precisa de ajuda alguma para caminhar este caminho. Não gaste 1 centavo qualquer com ninguém e nem com coisa alguma se essa for a sua estratégia.

Escolha 2: o dia de amanhã poderá ser complicado ou então será mais caro ou poderá ser bem melhor do que o dia de hoje. Eu creio que o futuro será mais importante do que o presente e topo me privar das coisas hoje para mais coisas amanhã. Por que viajar por 1 semana hoje se posso me planejar e viajar por 3-4 semanas daqui a alguns anos? Mais vale 2-3-4 no bolso do que 1 na mão… 2 voando eu nem imagino, afinal de contas controlo tudo com muito cuidado e com  precisão. Eu posso deixar de fazer quase tudo (e uma boa parte) do que eu poderia fazer aos 30 e me preparar para fazer tudo com mais intensidade e qualidade aos 60. Viajar com minha família agora? Por que? Podemos ficar por aqui mesmo e aproveitar para nos “conhecermos melhor” e eu ainda consigo trabalhar um pouco para ganhar mais e acelerar meu planejamento financeiro. Por que ir em restaurantes e provar sabores diferentes se posso me contentar com o bom trivial de sempre? Eu posso trocar completamente o meu presente por um futuro com mais qualidade. Por que consumir se eu “me basto”? Por que, mesmo gostando, não me privar das coisas que eu gosto, afinal de contas é do auto-controle e resiliência que emergem as melhores pessoas, não é mesmo? Minha família e especialmente meus filhos podem suportar isso. Eu os criarei dentro desta dinâmica na qual eles podem ser completamente diferente dos demais, viver em uma realidade só nossa e não serem seduzidos por estas coisas… Ou seja, eu posso escolher por eles. Enxergo os meus próximos 30 anos como um período no qual nos preparamos para viver bem a partir dos 60 anos de idade e depois, quem sabe possamos ser os mais ricos… do cemitério?

Se você pensa assim, não se incomoda com isso e crê que esta seja a melhor condução para a sua vida,  uma boa notícia: você também não precisa de ajuda. Você tem sido capaz de conduzir a sua vida a partir do que você acredita e planejamento financeiro algum poderá mudar isso e por consequência te ajudar.

Escolha 3: O caminho do meio. Usar o presente para viver o melhor possível hoje e também te presentear com um futuro equilibrado e bem vivido.

A melhor notícia: este é um bom caminho. Não é o mais fácil justamente por ser o menos nítido e por ser o mais dinâmico, potencialmente o mais cheio de surpresas. É, com certeza, aquele em que você terá mais dúvidas. Você também pode caminhar sozinho nesta escolha mas este é um melhor caminho se caminhado com alguém como um planejador financeiro pessoal.

A escolha 1, presente sem futuro e a escolha 2, futuro sem presente são caminhos nos quais basta respondermos às nossas crenças. Estas determinam nossas atitudes, já, a escolha 3, o caminho do meio, é uma que nos convida a refletirmos acerca das perguntas que constantemente nos desafiam na direção de uma vida com propósito, equilibrada e orientada a construção de um legado. As escolhas 1 e 2 são escolhas que combinam com o planejamento financeiro pessoal pois até para consumir muito tem que se planejar! A escolha 3, o caminho do meio, é uma opção intimamente conectada com o seu Planejamento de Vida e é uma jornada melhor viajada com a companhia de alguém. Eu realmente creio nisso. Eu realmente acredito no planejador financeiro pessoal como a peça fundamental para a construção de seu Plano de Vida. No caminho do meio você não precisa caminhar sozinho, não precisa confiar exclusivamente em suas crenças… Afinal de contas, não é a toa que estas geralmente são consideradas… Limitantes.

 

Com carinho, André Novaes

Nota do autor: Texto fora de contexto serve apenas de pretexto… E eu também posso estar “caindo” nesta armadilho com meus textos. Eu realmente acredito que não haja nada mais eficiente do que caminhar 1-1 com um planejador pessoal, mas reconheço que isso não é (viável) para todo mundo. Incomodado com o fato deste trabalho ser acessível apenas para alguns (poucos) e tendo a ambição de contribuir para uma Nação em Sua Melhor Versão, eu escrevi um manifesto sobre isso e nele apresento um roteiro chamado de 5 Narrativas para que você encontre este seu “caminho do meio”. Clique aqui para ler o manifesto.