Há cerca de 3 anos atrás, fui apresentado a um agradável casal, Pedro e Rute que se interessaram pelo processo de Planejamento Financeiro Pessoal durante um jantar na casa de um cliente. Como é natural, em um dado momento da descontraída reunião, o tema dinheiro surgiu no “cardápio” e estes meus clientes compartilharam com Pedro e Rute acerca da experiência que estavam tendo com a Life e recomendaram a Pedro e Rute que me procurassem. Foi Pedro quem me ligou, se apresentando como conhecido de meu cliente e dizendo que eu fora muito bem recomendado pelo casal amigo. Logo marcamos uma primeira conversa em meu escritório e eu disse a Pedro para vir com a sua esposa. No dia marcado, lá estavam Pedro e Rute.

Quando iniciei a nossa primeira reunião, após uma agradável troca de amenidades, o famoso quebra gelo, disparei uma sincera e simples pergunta ao casal: Por que vocês estão aqui? Pedro tomou a dianteira e me disse que tinha alguns investimentos que ele desejava saber se estavam bem feitos, me disse que ele estava começando a operar no mercado de ações, mas que também tinha alguns anos pela frente para terminar de pagar a casa. Me disse que ficaram uns 12 anos pagando a parcela da casa apenas quando dava pois criaram 3 filhos, que estavam recém formados e que os gastos com a educação dos filhos complicaram as finanças do casal. Compartilhou ainda que durante estes anos, tanto ele como Rute seguiram com suas carreiras, cada um buscando se desenvolver em seu campo de atuação e que isto de certa maneira criará um hiato de afeto entre o casal e terminou compartilhando comigo que estão em um momento de vida no qual os filhos formados não mais residem em casa, mas de vez em quando ainda recorrem financeiramente aos pais e que por decorrência desta alteração no quadro familiar, a casa, ainda não paga, esta grande demais para o casal…enfim, gostariam de alguma orientação para esta nova fase de vida do casal e uma análise financeira para saberem o que deveriam priorizar, se era a quitação da casa ou se era a busca por maior rentabilidade na carteira de investimentos.

Eu escutei a responda de Pedro com genuína atenção e então foquei meu olhar em Rute, sorrindo para ela. Gentilmente ela atendeu ao meu pedido e começou a dizer que ela gostaria de uma análise da situação do casal e que agora ela se sentia ao mesmo tempo triste por não ter mais a constante presença dos 3 filhos e feliz, por acreditar que agora ela poderia iniciar uma fase focada em seus verdadeiros interesses.

É interessante notar o poder de uma simples pergunta: Por que vocês estão aqui? Com este questionamento o casal começou a compartilhar comigo acerca de suas expectativas para a nossa reunião e possível relacionamento que se iniciará a partir desta primeira conversa.

Foi interessante notar também que embora o depoimento de Pedro tivesse sido mais longo e abrangente do que o de Rute, ele manteve uma linha financeira em todo o seu discurso, enquanto que Rute, já temperou a sua estória com pitadas de sonhos e expectativas que superam a marca do cifrão.

Após este  momento inaugural em nossa conversa, eu convidei o casal a refletirem acerca de suas vidas caso tivessem todo o dinheiro necessário a partir de hoje. Coisas interessantes começaram a aparecer. Entre todas elas, uma que me chamara a atenção, pois ficou claro o brilho nos olhos, foi o interesse de Rute por cavalos. Aliás, a paixão por cavalos sempre fora algo compartilhado pelo casal. Eles se conheceram nas arquibancadas do Jockey Club de São Paulo e durante a fase inicial do namoro, o programa favorito do casal era sair para o campo e andar a cavalo. Rute engravidara muito nova e com os afazeres de casa mais a pressão profissional tomando horas em sua agenda, gradualmente ela não mais acompanhava Pedro nas cavalgadas e seu marido, sem a companhia de sua esposa, logo deixou de praticar a paixão do casal. Rute disse ainda que pensou em retomar esta atividade junto com Pedro, mas um câncer a assolara a cerca de 6 meses e que com o quadro dela, ela apenas se concentrará em fazer o que podia pela família, para que eles não a sentissem muito abatida.

Quando Rute começou a lembrar disso, Pedro olhou para ela e disse que não sabia que a esposa sentirá tanta falta disso, tampouco sabia da iniciativa frustrada de Rute de voltar aos cavalos.

Durante a conversa financeira, raramente o casal se olhará, ou trocará um carinho, mas durante a recordação de um sonho em comum, os olhares se intensificaram. Claramente era um casal que se amava muito, mas que estavam buscando ajuda e apoio para fazerem o que sabiam que devia ser feito. Quando eu perguntei o motivo para não voltarem a praticar os passeios a cavalo, ambos não souberam dar uma resposta minimamente lógica, mas começaram a fazer o que a maioria das pessoas fazem: terceirizar a responsabilidade. Diziam que a agenda ficará muito corrida com o trabalho de cada um, mais a casa, mais os filhos, que eles se esqueceram… foram consumidos por uma agenda ao invés de construirem uma agenda… logo justificaram tal falta de tempo por pressões financeiras, pois precisavam trabalhar muito para sustentar a vida que tinham… Eis o meu gancho: Perguntei, que vida é essa que vocês tinham?

Pedro começou a responder… meio tortamente… Rute começou a choramingar…bem francamente. Vendo a emoção de sua esposa, Pedro me disse: André, podemos voltar para o Planejamento Financeiro? Eu dise: Já estamos nele!

Queridos, queridas, um Planejamento Financeiro que não contempla um Projeto de Vida não pode ser qualificado como um Verdadeiro Planejamento Financeiro. Claramente, Pedro e Rute e todos os meus outros clientes que somam 100% de minha carteira, buscam uma maior rentabilidade, ou sair das dívidas, ou uma equação financeira mágica, mas verdadeiramente perseguem um Projeto de Vida, algo que extrapola a rentabilidade de uma carteira, ou o % de um juros.

Para Pedro e Rute, e para todos os demais clientes da Life, eu e todos os demais PlanejadoresLife, procuramos tirar o foco do dinheiro e reposicionar a Vida no centro do jogo!

Muitos de nós focamos no dinheiro (que temos ou que achamos que deveríamos ter), buscando melhorar nosso padrão de Vida, mas se focássemos na Vida, eu tenho plena e genuína certeza, de que melhoramos o nosso dinheiro, colocando-o a função que ele fora criado, a de servo e não a de senhor.

Quanto a Pedro e Rute, após a minha afirmação de que já estávamos em pleno Planejamento Financeiro, eu expliquei o jeito Life de trabalhar. Iniciamos um projeto em conjunto e hoje, a casa ainda não esta quitada, apesar de faltar muito pouco e de eles estarem cumprindo com o planejamento para a quitação do financiamento.

Quanto a carteira de ações, ela não mais existe, foi transformada na compra de um cavalo e no aluguel de uma hípica, mas em compensação, o câncer de Rute também não mais existe. Eu tenho certeza que a Gestão de Expectativas que é conquistada com um Verdadeiro Planejamento Financeiro tem um papel fundamental para este final feliz!

 

Com carinho,

André Novaes, CFP®

Fundador e CEO