Recentemente participei de um encontro promovido por uma cliente que já foi editora de uma grande e internacionalmente conceituada revista de luxo. Neste encontro haviam pessoas relevantemente inseridas no mercado de luxo e foi edificante acompanhar e poder participar de uma reflexão tão direta quanto: O que é luxo?

Alguns do grupo colocaram que luxo é um daqueles conceitos naturalmente amplos, o que pode ser luxo para alguém não necessariamente é para os demais. Outros já colocaram que luxo é uma qualificação reservada às coisas que são exclusivas e possíveis apenas à um seleto grupo… Uma outra definição interessante disse que luxo é tudo aquilo que existe mas sem a abundância fabril e em altíssima escala dos dias de hoje, por exemplo, uma joia com uma pedra única, ou uma roupa exclusiva e que não pode ser comprada em lojas. Todas as definições são interessantes e eu estava no contexto deste grupo para aprender e não julgar… Mas admito que estava entediado com as reflexões expostas até alguém surgir com a seguinte definição: luxo é tudo aquilo que não temos.

A definição fisgou minha atenção. O exemplo dado foi o seguinte: “Um anunciante de nossa revista, extremamente rico certa vez me disse que luxo para ele consiste em poder ficar 1 único dia totalmente desconectado de sua empresa e compromissos profissionais / sociais, algo que ele não consegue sequer durante os finais de semana e férias.” Esta definição despertou uma serie de reflexões de todos ali presentes e cada um compartilhou a sua própria visão de luxo:

“Para mim luxo é poder dormir cedo”

“Luxo é poder chegar em casa e ainda aproveitar as crianças antes da hora de dormir”

“Luxo é conseguir almoçar em casa e ter um tempo para conversar com minha esposa”

Estas definições e todas as outras tinham três elementos em comum, a teórica simplicidade, a ausência de uma grande quantia de dinheiro, algo normalmente associado ao mercado de luxo e o fato de que eram coisas que as pessoas não tinham. Este último ponto foi o que mais me destacou pois sei que é complexo ser simples e não me era novidade o fato do luxo não estar diretamente ligado a questão financeira, mas o fato de luxo ser o que não temos me incomodou… Achei aquilo triste, limitante e pouco inspirativo… Como posso definir algo como algo que não tenho? Apesar da definição me chamar a atenção, assim o fez como um estímulo para uma reflexão menos limitada e triste.

Para mim luxo não é aquilo que não se tem, mas sim a possibilidade de inspirar-se para ter aquilo que se deseja, ou seja, não é a constatação de algo negativo, mas sim a afirmação de uma possibilidade, de uma esperança que emerge e ganha contornos factíveis através de uma agenda intencional. Luxo é poder reconhecer onde se está e enxergar onde se deseja chegar. Luxo é olhar para o futuro e realmente, realmente acreditar que este pode ser melhor do que o presente. Luxo é olhar para as atitudes que tem tomado e classificá-las como consecutivos passos que te aproximam da melhor versão de si mesmo. Luxo é poder assumir a responsabilidade pelo desenho de seu futuro. Luxo é poder planejar a própria vida.

Se esta definição de luxo encontrar alguma ressonância com você, eu imagino que também emirjam sentimentos negativos, ainda mais na degradação da moral brasileira construída pelas recentes decisões políticas e econômicas de nossos governantes que nos deixam tolidos do poderoso e transformador sentimento de esperança, o grande motor da definição de luxo futuro-orientado. Se por um lado temos este triste fato permeando e definindo a nossa geração, há de termos, do outro lado, uma postura ainda mais “luxuosa” que é encontrada na responsabilidade de uma vida pensada, estruturada e planejada. Se desejamos uma mudança profunda esta deve começar com a postura de cada um de nós rumo a um plano de vida que nos inspira a sermos a melhor versão do que podemos ser.

O que é uma nação de pessoas que buscam ser a melhor versão de si mesmos? Simples! Uma nação que passa a ser a melhor versão de si mesmo. Seria este um alvo supremo? Eu creio que sim e te convido para uma decisão de luxo, uma decisão rumo ao seu plano de vida, na direção de um plano de vida que te inspire a ser a melhor versão de si mesmo.

 

Com carinho, André Novaes

Nota do Autor: Ter esperança é um luxo e eu sou muito esperançoso. A minha esperança me move, mas se me move é porque não fica restrita ao campo de minhas boas intenções. A minha esperança encontra a minha intencionalidade e desta combinação eu crio os elementos para viver minha vida em minha melhor versão. Eu conheço muita gente bem intencionada, mas desejo contribuir para que a nossa nação veja o poder que há em pessoas intencionais. Para isso eu escrevi um manifesto e te convido a conhece-lo aqui.