“Investimento em imóvel é o mais seguro que existe”. Com certeza quem tem interesse sobre finanças já escutou essa frase de algum amigo, tio ou familiar distante. É fato que na cultura brasileira investimento em imóvel está amplamente enraizado e faz parte da discussão de qualquer roda de amigos. Agora, primeiramente, por que será que essa discussão sempre está tão latente em nossas vidas? Por um simples fato: 90% dos brasileiros (aqui uma mera estatística minha) tem o sonho da casa própria.

Trabalhando ao lado de famílias na minha jornada como Planejador Life, uma das primeiras coisas que aprendi é que não se deve falar o que uma família deve ou não fazer. Antes de tudo, é preciso respeitar as vontades, sonhos e os mais profundos interesses de todos os membros. Se uma pessoa tem o sonho de ter a sua casa própria, não vejo nada de errado nisso, muito pelo contrário! Trata-se de um belo plano de vida.

Agora, o que observo também na minha caminhada é que muitas vezes a realização desse objetivo pode tornar-se muito mais complicada do que poderia ser. Na maioria das vezes, por conta da ansiedade, o brasileiro tende a buscar essa casa própria a qualquer custo. Para isso, muitas vezes prefere investir em um imóvel menor, para depois comprar um médio e, finalmente, comprar um maior onde possa morar com mais conforto e tranquilidade.

É essa visão de que imóvel é um bom investimento e que pode servir para depois comprar outro melhor que gostaria de abordar.

A estratégia de comprar um menor para depois comprar outro pode ter funcionado no passado, que explicarei após uma simples conversa entre dois brasileiros que aconteceu 10 anos atrás. Imagina se um deles chegasse e fizesse duas perguntas para o outro (atenção às palavras em negrito):

– Você QUER comprar um imóvel de 100 metros quadrados, com 3 quartos, bem localizado e que custa 500 mil reais?

Sim, claro! É um ótimo imóvel, bem localizado e posso criar minha família nele.

– Você PODE comprar esse imóvel?

– Olha, não tenho o dinheiro todo pra comprar à vista, mas posso ir ao banco, pegar um financiamento… Sim, posso comprar!

Passaram-se 10 anos e outros dois brasileiros agora têm a mesma conversa, porém com algumas alterações:

– Você QUER comprar um imóvel de 100 metros quadrados, com 3 quartos, bem localizado e que custa 1 milhão de reais?

Sim, claro! É um ótimo imóvel, bem localizado e posso criar minha família nele.

– Você PODE comprar esse imóvel?

– Olha, não tenho o dinheiro para comprar à vista e tenho que pagar outros financiamentos, tenho que pagar minhas viagens, colégio das crianças e o banco também não me libera esse dinheiro. Não, não posso comprar!

Existe outra variação dessa conversa:

– Você PODE comprar esse imóvel?

– Olha, não tenho o dinheiro todo pra comprar à vista, mas posso ir ao banco, pegar um financiamento… Sim, posso comprar!

– Você QUER comprar um imóvel de 100 metros quadrados, com 3 quartos, bem localizado, e que custa 1 milhão de reais?

Não, não quero! Não quero gastar esse dinheiro todo porque acho muito caro pagar 1 milhão de reais nesse imóvel.

O que significa esse diálogo? Há 10 anos era fácil encontrar pessoas que respondiam Sim e Sim a essas duas perguntas. Você QUER e você PODE comprar? O imóvel era bom, bem localizado e fazia sentido pelo preço cobrado. Ou seja, muitas pessoas no Brasil queriam comprar e tinham condições de comprar esse tipo de imóvel.

Passaram-se 10 anos e o preço do mercado imobiliário do Brasil cresceu muito. Hoje o mesmo imóvel vale o dobro. Por esse motivo, há uma escassez de pessoas que respondam Sim e Sim a essas duas perguntas. É mais comum achar quem responda Sim e Não ou Não e Não. Por esse motivo, quem “investe” em imóvel hoje, tem um problema relativamente sério. Será que esse investidor vai conseguir o preço que acha justo pelo seu imóvel, conseguir vender e comprar outro imóvel a qualquer momento? Provável que não. É por isso que o “preço justo” é que tem se modificado nos últimos anos.

Dois fatos são conhecidos quando a conversa é relacionada a mercado imobiliário: 1) Não existe nenhum mercado imobiliário que dê lucro perpétuo e contínuo. Ou seja, se você acha que vai comprar um imóvel e ele só valorizará, pode estar extremamente enganado. 2) O aluguel pago ao proprietário, na maioria das vezes, é mais barato do que o “aluguel do dinheiro”. O financiamento imobiliário hoje em dia pode sair muito mais caro do que o aluguel de um imóvel.

O intuito desse meu artigo não é fazer com que você não compre imóvel, muito pelo contrário! O principal objetivo é alertar que investimento em imóvel, hoje em dia, pode ser um negócio ruim, mas se você deseja investir na sua moradia, ou seja, comprar a sua casa própria, existem várias maneiras mais baratas e financeiramente mais inteligentes que te levam a esse objetivo.

Quer saber como? Pergunte ao seu Planejador Life! E não deixe de compartilhar este artigo com seus amigos e queridos, muitos podem estar exatamente nesta “encruzilhada”: comprar ou não… Eis a questão.

 

Com carinho,

Leonardo Gomes, CFP®

Planejador Life – Partner