Em 2016 a LifeFP™ completa 9 anos de vida e desde nossa fundação somos fãs do Tesouro Direto, programa iniciado ainda no último ano do 2º mandato do ex-presidente FHC, em 2002. Ao longo do tempo acompanhamos a evolução do Tesouro Direto (TD) e percebemos que recentemente este tipo de investimento tem estado cada vez mais nos “holofotes da midia” e no radar de diversas pessoas. Até mesmo os nossos clientes, acostumados com o uso do TD no contexto de seus planos de vida e investimentos, têm nos procurado com maior frequência com perguntas relevantes sobre o mesmo.

Uma das perguntas que aparecem com maior frequência é sobre o risco de investir no Tesouro Direto: “Eu posso perder o meu dinheiro investido no Tesouro Direto?”. Este texto tem o alvo de contribuir com uma resposta.

Primeiro, não existe investimento 100% seguro, absolutamente não existe, nem mesmo os imóveis são considerados “livre de risco”, uma vez que podem ocorrer eventos não controláveis com o seu imóvel, como, por exemplo:

  1. Um incêndio, alagamento ou desmoronamento (ok, há seguro para isso, mas este precisa ser muito bem dimensionado e contratado para não haver maiores prejuízos).
  2. A construção de uma rodovia ou ponte ou outra edificação pública que cause desconforto acústico ou ambiental para o seu imóvel (minhocão em São Paulo).
  3. A mudança de zoneamento na região de seu imóvel e consequências negativas para o seu tipo de imóvel.
  4. Caso seja um imóvel de aluguel / renda: O risco de vacância e o custo de carregamento envolvido com isso: IPTU, condomínio, manutenção e o custo de oportunidade perdido ao não ter o seu patrimônio gerando renda… Mas sim, consumindo renda.

Você pode estar pensando “ok, mas o risco é baixo e eu topo assumi-lo”. Concordo com você e existem situações nas quais um imóvel é o melhor destino para os seus recursos, mas esteja ciente de que riscos existem, como também existem no TD e este é o foco deste texto. Vamos explorar estes riscos juntos.

No que se refere as suas finanças pessoais e seu Plano de Vida, são 3 os riscos envolvidos no TD (e em qualquer outro investimento): risco de crédito, risco de inflação e risco de ausência de planejamento. Permita-me explorar cada um deles:

Risco de crédito: A “outra parte” no investimento TD é o Governo Federal e o risco de crédito existe quando há uma chance desta outra parte não lhe pagar o que é devido no momento de vencimento do título ou se você decidir resgatar antes do vencimento. Este é o tipo de risco que está na mente das pessoas a partir das notícias ruins vindas de Brasília. Este risco existe? Ninguém pode afirmar que não existe, mas devemos analisar algumas estatísticas com cuidado para construirmos a nossa conclusão.

  • Ponto 1: O Brasil recentemente perdeu o selo de bom pagador de duas das três principais agência de análise de risco, mas isso refere-se a dívida externa em moeda estrangeira, ou seja, a dívida que o Brasil contrai com outros países. O TD faz parte do estoque da dívida interna em Reais e não é matéria de análise destas agências. De tudo o que o Brasil deve, cerca de 2,6 trilhões de reais, aproximadamente 5% refere-se a dívida externa. Os outros 95% são dívida interna emitida em Reais.
  • Ponto 2: 95% de 2,6 trilhões ( R$ 2.600.000.000.000,00) é muito dinheiro, mas é uma dívida em R$ e o Brasil é emissor da própria moeda, ou seja, em última instância, podemos emitir mais moeda para “custear” a nossa dívida, mas isso terá um impacto relevante em nosso segundo risco, que é o da inflação. Já comento sobre ele, mas antes, mais um dado sobre o TD no contexto destes (aproximadamente) 95% dos 2,6 trilhões de dívida. O estoque de títulos emitidos pelo Tesouro Direto soma cerca de 24 bilhões de Reais, ou seja, menos de 1% da dívida pública federal e exatamente 0,97166% da dívida pública federal interna. O investidor do TD é o chamado “pequeno investidor” (69,2% das compras realizadas foram de até R$ 5.000,00) e no caso de uma decisão drástica do governo por não honrar sua dívida, primeiro ele irá atrás dos investidores institucionais (bancos e fundos) e não do investidor no TD.

Risco de Inflação: Um investidor pode perder dinheiro no TD caso a inflação supere a rentabilidade nominal do título comprado. Exemplo: Alguém que comprou um Tesouro Prefixado 2021 com uma taxa de 16,00% ao ano. Ao descontar o IR (15% em sua alíquota mínima) temos uma rentabilidade de cerca de 13,60% ao ano. Se a inflação entre a compra e a venda for maior do que 13,60% ao ano, há uma perda real do dinheiro investido, uma vez que o investidor perdeu poder de compra. Caso o Governo Federal, como medida para financiar a sua dívida, decida por emitir mais papel moeda, ou seja, ampliar a base monetária, há o risco de uma disparada da inflação e perda real do investimento no Tesouro Direto. Então perceba que há uma ligação direta entre o risco de crédito e o risco de inflação.

Como é que podemos nos proteger deste tipo de risco (risco da inflação)? Com planejamento financeiro e com um plano de investimentos que sirva o seu Plano de Vida. Esta é a solução e a ausência disso é também o 3º tipo de risco.

Risco de ausência de planejamento: Uma leitura precipitada deste texto e uma pesquisa “descontextualizada” sobre o funcionamento dos diversos títulos disponíveis no Tesouro Direto poderia concluir que basta comprar títulos que protejam o investidor da inflação, como o Tesouro IPCA+, mas não é assim tão simples. O chamado “risco da ausência de planejamento” também pode ser chamado de risco de volatilidade e aqui eu peço a sua especial atenção.

Comprar um título de vencimento longo (maia de 8-10 anos) é “comprar incerteza” sobre o que acontecerá ao longo deste período. Esta incerteza já está, de alguma forma, precificada no valor de compra do título. Exemplo: Hoje é possível comprar um Tesouro IPAC+ 2024 que paga uma taxa de cerca de 7% ao ano + o IPCA. O IPCA dos últimos 12 meses está em cerca de 10,50%aa, o que resulta em uma rentabilidade nominal de 17,50% ao ano. O que realmente importa nesta conta é a taxa de (cerca de) 7%, o rendimento acima da inflação. Como estamos (Janeiro/16) vivendo um tempo de muitas incertezas, o Tesouro precisa remunerar bem esta incerteza para o investidor que decide emprestar dinheiro para o Governo Federal até 2024…E é na parte do “até 2024” que entra a volatilidade e o planejamento.

Volatilidade: Caso o investidor decida vender o título antes do vencimento ele poderá ocorrer em perdas do valor investido pois pode ser que no momento de venda, as incertezas sejam ainda maiores do que as de hoje, o que força o Tesouro a precificar estas incertezas e oferecer para o investidor uma taxa maior do que 7% ao ano até 2024. O investidor que comprou este título com uma taxa de 7% ao ano se vê com um ativo menos atraente do que o do próprio Tesouro e caso precise vender, terá que aceitar um valor menor para realizar a operação.

Solução?

Planejamento! Mas apenas se construído a partir de seu Plano de Vida: E se o investidor não precisar vender este título antes do vencimento? Ele estará “bem na foto” pois levará para casa uma rentabilidade anual de cerca de 7% acima da inflação… Agora, o que garante que ele não precisará deste dinheiro antes? Nada!

Nem mesmo o planejamento, pois existem coisas que nem o melhor planejamento consegue prever, mas as consequências de um evento não controlável podem ser amplamente cobertos por um bom planejamento.

Um investidor precisa vender o seu título no Tesouro Direto pois precisa de dinheiro, mas este dinheiro, através de um planejamento, não estará em um título como o Tesouro IPCA+ (de longo prazo e volátil), mas sim em um título como o Tesouro SELIC, que é atrelado a taxa básica de juros e não apresenta volatilidade. Este título pode render menos no caso de queda da taxa de juros, mas nunca “renderá negativo”, a não ser que a taxa básica de juros seja negativa… Algo inimaginável.

É com este título que ajudamos os nossos clientes a construir o que chamamos de BPL (Base de Plena Liquidez), ou seja, uma parcela dos investimentos em ativos totalmente líquidos e não voláteis (amanhã sempre terá mais dinheiro do que hoje) que servem de proteção na ocorrência de uma eventualidade.

Depois de formada a BPL podemos partir para investimentos mais voláteis e rentáveis no Tesouro Direto, investimentos em títulos que nos protejam do risco de inflação e que combinem com o prazo estabelecido para nossos sonhos em nosso Plano de Vida. Perceba como é íntima a relação entre seus investimentos e o seu Plano de Vida! É para isso que serve um bom planejamento financeiro, para encurtar a distância entre você e seus sonhos, você e a sua melhor versão.

O Tesouro Direto não é 100% seguro, mas é o mais seguro se entendermos as estatísticas do risco de crédito, a dinâmica do risco de inflação e a força do planejamento como instrumento de proteção ao risco de volatilidade.

2016 será um tremendo ano para quem é investidor! Se você ainda não estiver investidor, encontre em 2016 uma motivação ainda maior para tornar-se. Podemos lhe ajudar! Não é um caminho curto, tampouco rápido, mas é um caminho que vale a pena ser caminhado e que resulta em você em proximidade de sua melhor versão.

Conte conosco!

Com carinho, André Novaes

Nota do editor: Eu realmente acredito que mais vale o investidor que você é do que o investimento que você faz. O SER investidor é uma agenda intencional e te convido a conhecer esta intencionalidade no contexto de seu Plano de Vida a partir das 5 Narrativas que criei especialmente para isso.

O seu primeiro passo é assinar o manifesto Nação em Sua Melhor Versão. Clique aqui para conhecer mais sobre isso.