Todos dizemos que queremos simplicidade, mas temos uma forte tendência à escolher a complexidade. Estamos frequentemente competindo com este paradoxo… Se por um lado dizemos que desejamos simplificar, simplificar e simplificar, acreditamos que a solução para um problema importante tem que ser complexa… Curioso isso não?… Mas o fato é que a simplificade é a forma mais dinâmica da complexidade! Pois é! É complexo ser simples nos dias de hoje! Vejo isso em minha atividade como planejador financeiro, mas é um fenômeno fortemente presente em nosso dia-a-dia.

Pensemos juntos: Eu desejo emagrecer. Ganhar mais vitalidade e disposição. Peso 105 kg e desejo pesar 90. Solução:

  1. Ingerir menos calorias: Isso significa alimentar-se melhor, com alimentos mais saudáveis, menos calóricos e mais equilibrados e desenvolver o hábito de comer mais vezes ao dia, em um intervalo de 3 em e horas.
  2. Queimar mais calorias, ou seja, desenvolver a prática segura e habitual de uma atividade física aeróbica… Talvez nada mais do que caminhar de 20 a 30 minutos por dia somadas a mudanças simples em sua rotina diária, como subir uma escada, alongar-se de manhã, dormir mais cedo e fazer intervalos regulares em sua atividade profissional para uma rápida ginástica laboral.
  3. Combinar os ítens 1 e 2.

E é isso! Simples assim! Todos conhecemos a fórmula! E eu afirmo que é simples… Não me arrisco a dizer que é fácil… Pelo menos não para todos nós, mas o foco aqui é na simplicidade vs a complexidade e não no grau de facilidade… E curioso não?! Sempre pensamos no grau de dificuldade e nunca no grau de facilidade. Mais um termo popular centrado na negatividade… Mas isso é um tema para um outro texto…

Outro exemplo nosso, meu e seu. Vamos ao médico com dores de cabeça, cansados e stressados. Comentamos com o médico que não estamos conseguindo nos concentrar no trabalho e que quando chegamos em casa em busca de refrigério, parece que está tudo um caos e que no fim das contas não termos força e disposição para fazer nada. Entramos no consultório com um pedido claro de ajuda e ouvimos do médico o seguinte:

“Vá para casa e descanse”.

“Busque limpar a sua agenda. Tire um tempo para você” ou ainda:

“Alimente-se melhor e busque uma atividade física”…

… E saímos desapontados de uma consulta como essa… Como que o meu enorme problema pode ter uma solução tão simples! Preciso de exames, terapia, remédio… Ficamos assustados quando recebemos uma solução simples para nossos problemas complexos pois aprendemos que problemas complexos demandam soluções complexas e ficamos perplexos com a receita contrária!

E porque nos sentimos assim: Pois confrontar a lógica do problema complexo-solução complexa nos desafia a mudar o nosso comportamento, expectativas e atitudes… E isso também pode ser mais simples do que você pensa… Paradoxal, não?!

E quanto ao planejamento financeiro pessoal. Advinha o que acontece quando convido meus clientes a pensarem em soluções simples para seus problemas complexos? Desconforto, medo, resistência, desconfiança… E todos estes sentimentos são depositados não na solução simples, mas sim no problema complexo. Isso me lembra um clássico caso de um treinado de futebol americano que, quando perguntado sobre o que os fez ganhar o  título da temporada, disse: “O outro time entrou para não perder e nós entramos em campo para ganhar! E isso fez toda a diferença!” Reparem: Ambos tinham o campeonato em mente. Não perder pode parecer análogo a ganhar, mas para o time que perdeu, a derrota estava na agenda e para o time vencedor, o foco era exclusivo na vitória!

E é isso o que acontece com a maioria de nós. Sempre estamos olhando a complexidade dos problemas e não a simplicidade das soluções. Em Finanças Pessoais parece rasa a equação que afirma: Gaste menos do que ganha, poupe frequentemente, evite investimentos especulativos e miraculosos e faça isso repetidas vezes! PONTO!! A reação que temos é: “Não é possível!”, “é mais do que isso!”, e a clássica: “Não pode ser tão simples”. Ainda, quando falamos sobre investimentos e mostramos aos clientes o funcionamento e vantagens da compra direta de ativos e principalmente sobre o quão mais importante é a construção de um plano de vida do que simplesmente de um plano de investimentos,  a reação muitas vezes é: “Mas e o que a revista diz?”, “Não! Na TV parece algo tão complexo”, “e todos aqueles livros com análises XYZ…”

A verdade é que temos uma certa atração ao que á complexo. Confunde-se isso com algum glamour, com inteligência, com “coisa para gente que sabe das coisas”, mas ao pararmos e refletirmos sabemos que nada mais sábio do que a aderência a simplicidade. Já nos ensina a palavra KISS (beijo em inglês), como um acrônimo para “Keep It Simple, Simple”, Mantenha Isso Simples, Simples!

E porque será que o simples é o mais complexo… Não! Não é porque é difícil, mas porque as decisões simples que devemos tomar para aquilo de maior impacto em nossas vidas demandam disciplina, paciência e persistência. Voltemos ao começo do texto. Vamos emagrecer e buscar uma vida saudável? Simples! Basta ter disciplina, paciência e persistência! Vamos ter uma vida financeira madura e próspera? Simples! Basta ter disciplina, paciência e persistência!

E agora para entrar na reta final deste texto, uma pergunta: Disciplina dói? Seja honesto… Dói sim! Mas a dor da disciplina é aquela que decidimos ter para fazer algo que pode mudar alguma coisa… Agora, arrependimento dói? E o arrependimento é geralmente o produto da falta de disciplina… E o arrependimento também dói! E a dor do arrependimento é aquela que temos quando percebemos que não podemos fazer mais nada para mudar coisa alguma… Queridos: O que dói mais?

E, como uma tentativa de receita à aderência a simplicidade: Como é que a humanidade evolui? Em comunidade, em grupos, contando suas estórias, documentando o que é importante… Simplificando: Caminhando lado-a-lado, ombro-a-ombro… Recomendo 2 coisas: Primeiro: Algo prático: Procure na internet pelo vídeo de Willian Ury chamado “o caminho do não até o sim”. Neste vídeo Ury comenta acerca da importância do “cara do balcão” ou de uma terceira pessoa que nos ajuda a resolver conflitos… Talvez o maior deles seja entre a simplicidade e a complexidade… E reparem na idéia simples e poderosa que ele tem para a solução de um problema complexo no oriente médio! Segundo: Simples e ainda mais prático! Encontre você uma terceira pessoa, alguém “do balcão” para caminhar com você o caminho da complexidade à simplicidade.

 

Com carinho, André Novaes

Nota do Editor: Sem delongas e sendo simples e direto: Você é responsável pela sua vida, pela sua melhor versão. Assuma o protagonismo e me permita servir como um guia que tem uma visão: Eu enxergo uma Nação em Sua Melhor Versão, mas esta nação começa com você em SMV. Eu escrevi um manifesto sobre isso e gostaria que você fizesse parte deste movimento. Clique aqui para ler o manifesto e intencionalmente decidir pelo seu protagonismo.